sexta-feira, 3 de julho de 2015

da Joana

podia ter sido uma fotografia, mas essas, as fotografias das nossas memórias, és tu quem as tem. sai um texto, agora escrito na língua que vou lentamente desaprendendo a usar, que já me vai saindo perra. arrisco, portanto, a falta de estilo. queria evitar o tom saudoso, regressar ao passado, evocar os muitos bons momentos que passámos juntas, em várias cidades, em vários períodos. mas não estar presente este sábado é o sinal vivo da distância que continuo a querer negar, e que hoje, em particular, me grita com todas as letras. foi, por muitos anos, apenas uma distância física, que diminui de muitas formas, que me ajudaste a diminuir. começou gradualmente a ser uma distância diferente. uma distância que dói, feita da vida que vai preenchendo esta década, e que é uma vida diferente, com tudo o que tem de bom e de difícil, deu-me tanto e tirou-me tanto… escrevo-te de um minúsculo quarto de hotel em Nova Iorque, de madrugada, antes de mais um dia de trabalho. sim, eu sei que soa demasiado bem. mostra (um pouco) um lado da vida que não teria tido se tivesse ficado, se tivesse voltado, e de que gosto, não posso negar. mas esconde muitos outros lados também. esconde, entre muitos outros factos e sentimentos, o desejo profundo de ‘uma casa no campo’. o preço é muito alto, demasiado alto. as conversas, os abraços, a música, os livros, os passeios, o riso, o calor (não o meteorológico), a revolta até num mundo anestesiado, e os clichés que são tão importantes (o sol, o mar, a luz, os cheiros das manhãs como as conheci), trago-os ainda em mim, são parte de mim, como não poderiam ser? mas tudo o que me fez, de que fazes parte, está longe, muito longe do meu dia-à-dia. um dia-à-dia que só não é estéril por causa de quem me sustenta, o Jan e os meninos. porque a falta da tua – da vossa – presença constante, a impossibilidade de partilhar momentos como este, empobrece-me. sim, continuo a ter-te a meu lado, a ter-vos a meu lado. é essa presença fundamental que foi iludindo a distância, que foi escondendo os seus outros feitios, mas que lentamente vai perdendo a batalha, mesmo mantendo-se firme. pilar que não muda. pilar numa realidade diferente. um abraço. até já.

da Helena














E como uma imagem vale mais que mil palavras…
Espero que cumpras no mínimo outros 40.
O beijo e o abraço vou dar-tos pessoalmente.