E, depois, saímos para a noite toda e ela fez-se pouca,
Entre telhados e arcos e colunas,
E ruelas perdidas e sujas e esconsas,
Quase sempre excessivamente oblíquas.
E fomos perna e braço e peito e boca,
Umas vezes.
Noutras ocasiões, porém,
Entre guitarras e poemas queridos,
O sofá fez-se banco de jardim,
E tomámos as paredes por árvores,
E matámos uma sede tremenda de nos conversarmos,
A golpes e goles de vinho e de cerveja,
E, febris, delirámos e degolámos
Todos os estafermos que nos moíam.
E ganhámos todas as horas em que,
À força de palavras e de olhos e de vozes,
Gerámos portentos e assombrámos
A própria substância das vidas
Que, sem dar por isso, moldávamos,
Revezando afagos e talhadas de cinzel.
E rimos profusamente e tão menos do que podíamos,
Mas, ainda assim, tanto.
Houve dias ligeiros e noites fátuas
E houve dias amargos e noites de angústia.
E fomos pai e mãe e espírito-santo.
E assim nos livrámos, para sempre, de todo o mal.

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